Onde o Ocidente falhou?

Capa do livro O Futuro de uma outra ilusão
o futuro de um outra ilusão
O futuro de uma outra ilusão
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148 páginas, formato 14 x 21 cm
Preço: R$ 28,00
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O FUTURO DE UMA OUTRA ILUSÃO

Reconstitui, por meio de nomes-chave da Filosofia, Teologia e Teoria Política, o longo percurso do pensamento ocidental a partir da Idade Média, profundamente mística, até uma modernidade que tentou reduzir as religiões à insignificância. A promessa era de um mundo iluminado pela razão e regido pela democracia, pelo trabalho organizado e pelo bem-estar como valores supremos.

Analisando o que estava em jogo politicamente, as reais possibilidades de se operar a tal substituição do crer pelo saber e a maneira como jogamos para a natureza toda a conta a ser paga por nossa qualidade de vida no consumismo, o autor nos leva a entender melhor o porquê de as religiões, os fundamentalismos, os preconceitos, a intolerância encontrarem no mundo de hoje tanto campo para proliferar.

As visões da ciência, da política, da tecnologia, da natureza e as transformações do cristianismo com a Reforma são analisadas em diferentes capítulos, como histórias paralelas, que se encontram no contemporâneo. Um capítulo especial coloca o islamismo, por sua inicial e profícua relação com o saber, em relação com o antagonismo entre ciência e religião que se instalou no cristianismo a partir do Renascimento.

O título, O futuro de uma outra ilusão, faz alusão a um texto de Sigmund Freud, O futuro de uma ilusão, que, em 1929, falava sobre o inevitável desaparecimento das religiões e surgimento de um mundo finalmente secularizado e dirigido pela razão como princípio de base em todas as esferas da atividade humana. A linguagem é simples e clara. O livro é direcionado a um público leigo e interessado.

Veja alguns trechos

Falando da passagem do medievo para a modernidade:

“A organização social era alguma coisa “dada”, desde o estabelecimento da Europa cristã. Não era assunto de descoberta, investigação ou discussão. Era assunto da tradição. Seria recebida de Deus e expressaria assim sua vontade. A novidade que aflorou a partir do século XVI foi uma nova postura que, em correspondência ao que fazia Galileu apontando sua luneta para os céus a fim de buscar conhecimentos sobre o movimento dos astros, direcionou o olhar de cientistas sociais, os grandes da filosofia política, para a natureza humana. O objetivo era, a partir do estudo desse ser, mediante o entendimento de seus humores e motivações, chegar a uma forma de convívio social que preservasse seus direitos e valores “naturais”. O princípio da ciência, que toma a natureza como única referência e com prioridade a não importa que verdade revelada em um transe místico ou em um livro sagrado, está integralmente aplicado aqui. A ideia de que existe uma natureza humana e de que esta precisa ser respeitada assumiu um sentido postular”.

Sobre nossa emancipação do pensamento mítico:

“Podemos dizer que nossas personificações da natureza e a atribuição de características humanas que a ela fazemos, tais como a “revolta da natureza”, ou o “sofrimento da natureza”, expressões recorrentes em materiais de cunho ecológico, são meramente recursos linguísticos, sem nenhuma relação com o estabelecimento de quaisquer divindades, tais como os deuses do trovão ou da chuva, como encontramos entre os indígenas. Mas é bom também lembrar os estudos já citados de Max Müller, nos quais ele ressalta essa íntima conexão entre a poesia, ou os“defeitos da linguagem” como ele os chamava, e o estabelecimento dos mitos. Se fábulas e mitos não são literalmente verdadeiros, tampouco são completamente falsos ou sem sentido. Pode ser que, em nosso caso, sejam apenas um resquício, uma forma atrofiada desse impulso para sacralizar nosso entorno e que não passem de criação de algumas metáforas. Mas pode ser também que dependam apenas da extensão e persistência das perdas que sofremos e do quanto somos capazes de reagir e manter o controle. Talvez o que nos leve a achar ridículo fazer algum tipo de dança da chuva seja apenas a disponibilidade de água”.

Sobre a relação entre a Reforma da Igreja e o novo papel do trabalho na revolução industrial:

“Isso fabricou, em pouco tempo, um código de vestir, de falar, de lugares a frequentar, de como se comportar, visando cortar na origem as possibilidades de que devaneios sensuais ou outros deslizes do caráter pudessem ter ocasião. Fugir do ócio, pai de tantos pensamentos perigosos, era a fórmula básica dessa atitude vigilante. Abraçar um trabalho, uma profissão que absorvesse toda a atenção, que fosse repetitiva, sem fim, capaz de ocupar a mente e esgotar o corpo, garantindo um bom e pesado sono, foi o desdobramento natural. O sucesso material seria o atestado de que tudo estava correndo como o previsto e de que a graça estava com esse humilde operário de Deus, engrandecendo seu Reino, seguindo reto, olhando em frente, rumo à sua merecida salvação eterna”.

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